Ferdinando Gonçalves

Marés com vida

CONCEITO

O artefacto Marés com VIDA constitui um sistema híbrido físico-digital concebido para promover a literacia do oceano e a sensibilização ambiental através da articulação entre arte, educação e tecnologia.  O artefacto materializa-se em dois elementos físicos complementares: um painel gráfico e uma escultura construída a partir de beatas de cigarro. Estes elementos articulam-se com conteúdos digitais acessíveis através de um código QR, criando uma experiência híbrida em que a observação dos elementos físicos é complementada pela exploração de informação digital e pela interação ativa do público com os conteúdos disponibilizados.

O painel representa o fundo marinho da Madeira, integrando a batimetria e a identificação de espécies marinhas, valorizando a biodiversidade local e funcionando como suporte visual e educativo. A escultura, intitulada O Peixe Não Fuma, materializa simbolicamente a presença de resíduos nos oceanos, transformando um elemento poluente num dispositivo artístico de sensibilização e reflexão crítica.

Na sua dimensão funcional, o artefacto promove a aprendizagem, a participação comunitária e a intervenção ambiental, afirmando-se como uma ferramenta educativa inovadora e aberta à futura integração de tecnologias emergentes.

Conceitos-chave: Média Arte Digital; Instalação Híbrida; Arte Ambiental; Literacia do Oceano; Poluição por Beatas de Cigarro; Realidade Aumentada; Participação Pública

OBJETIVO DE INTERVENÇÃO/COMUNICAÇÃO

O espectador é convidado a explorar o artefacto através da interação com os elementos físicos e digitais que compõem a instalação. A observação do painel gráfico e da escultura construída com beatas de cigarro constitui o ponto de partida para uma experiência de descoberta e reflexão sobre a biodiversidade marinha da Madeira e os impactos da poluição nos ecossistemas marinhos.

Recorrendo ao seu dispositivo móvel, o visitante pode aceder, através de código QR, a conteúdos digitais complementares — incluindo experiências de Realidade Aumentada e recursos multimédia —, que aprofundam a informação disponibilizada e promovem uma participação mais ativa no processo de aprendizagem e sensibilização.

O objetivo da intervenção consiste em estimular a consciência ambiental, reforçar a literacia do oceano e incentivar comportamentos mais responsáveis na preservação dos ecossistemas marinhos.

Através da articulação entre arte, ciência e tecnologia, o artefacto procura envolver o espectador como participante ativo na construção de conhecimento e consciência ambiental, promovendo uma experiência educativa, crítica e emocionalmente significativa.

TECNOLOGIAS E TÉCNICAS UTILIZADAS

O artefacto combina elementos físicos e digitais, sendo a sua configuração final adaptada ao espaço expositivo disponível. Integra um painel gráfico e interativo de grande formato que representa o fundo marinho da Madeira e a sua batimetria, contextualizando as diferentes espécies marinhas ilustradas. As espécies encontram-se posicionadas de acordo com a profundidade em que habitualmente ocorrem, promovendo uma leitura visual cientificamente fundamentada.

Inclui ainda uma caixa em acrílico que contém uma escultura de um peixe construída a partir de beatas de cigarro recolhidas na Marina do Funchal. Este elemento artístico procura evidenciar o impacto da poluição marinha associada a este tipo de resíduo.
A experiência é complementada pela utilização de dispositivos móveis pessoais, através dos quais os visitantes podem aceder a conteúdos digitais interativos — nomeadamente recursos de Realidade Aumentada, som e conteúdos multimédia — mediante a leitura de códigos QR integrados na instalação.

REFERÊNCIAS E INFLUÊNCIAS ESTÉTICAS

A conceção estética do artefacto inspira-se em práticas contemporâneas de arte ambiental e arte digital interativa, que utilizam a arte como meio de sensibilização para problemáticas ecológicas e sociais. A utilização de beatas de cigarro na construção da escultura inscreve-se em abordagens associadas à reutilização de materiais, transformando resíduos poluentes em elementos de reflexão simbólica sobre o impacto humano nos ecossistemas marinhos.

A representação gráfica das espécies marinhas da Madeira conjuga rigor científico e linguagem visual acessível, valorizando a biodiversidade local e promovendo uma aproximação estética ao património natural marinho. Simultaneamente, a integração da Realidade Aumentada e de conteúdos digitais posiciona o projeto no contexto das práticas artísticas híbridas contemporâneas, nas quais a experiência física é expandida por camadas digitais interativas.

Deste modo, o artefacto integra dimensões da arte ambiental, da instalação artística e da arte digital, combinando elementos visuais, materiais e tecnológicos numa experiência de sensibilização, participação pública e aprendizagem ambiental.

Diário Digital de Bordo

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Ferdinando Gonçalves é licenciado na área da Educação pela Escola Superior de Educação de Bragança e professor de Artes Visuais. Concluiu o mestrado em Utilização de Ferramentas Pedagógicas TIC no Instituto Politécnico de Leiria e é atualmente doutorando em Média-Arte Digital na Universidade Aberta e na Universidade do Algarve. O seu percurso une educação, arte e tecnologia, explorando novas formas de expressão e inovação pedagógica no universo digital.