Fábio da Costa Lago
Olinda Através do Olhar das Crianças: Narrativas Infantis sobre a Cidade de Olinda
CONCEITO
O desenvolvimento do meu Projeto de Média-Arte Digital tem acontecido de forma profundamente coletiva e processual. Muito mais do que uma produção individual, a construção da proposta vem sendo realizada junto às crianças, em aulas de campo, momentos de observação, conversas e experiências de criação compartilhada. Aos poucos, os desenhos, as narrativas e os modos de olhar para o mundo que emergem dessas vivências têm se tornado matéria viva para a investigação.
Os desenhos apresentados nesta exposição revelam como as crianças percebem, interpretam e narram a cidade de Olinda. Por meio de traços, cores e formas, registam lugares, memórias e experiências que dialogam com a história, a geografia e a identidade cultural da cidade. Mais do que expressão artística, cada desenho constitui uma narrativa visual que produz conhecimento sobre o território. A exposição convida o público a descobrir a cidade de Olinda através do olhar sensível das crianças, reconhecendo o desenho como linguagem de observação, memória e criação.
A sala de artes transformou-se num verdadeiro laboratório de experimentação. Nela, testamos ideias, materiais, linguagens e possibilidades de representação. Cada encontro revela novas dívidas, novos percursos e novas formas de compreender como as crianças constroem sentidos sobre os lugares que habitam. Os desenhos produzidos não são apenas resultados visuais, mas registros de memórias, afetos, imaginação e leitura de mundo. O mais significativo, porém, tem sido perceber que o projeto ultrapassou os limites da sala de aula. Professores, famílias, colaboradores e diferentes setores da escola passaram a acompanhar e contribuir com o processo, criando uma rede de envolvimento que fortalece a investigação. A escola inteira parece ter sido convocada a olhar para a cidade através dos olhos das crianças. Nesse percurso, compreendo cada vez mais que a pesquisa não acontece apenas no momento da análise dos dados, mas também nos encontros, nas escutas, nos gestos e nas experiências compartilhadas. O MAD tem se constituído, assim, como um espaço de criação, descoberta e construção coletiva de conhecimento, onde arte, educação e investigação caminham lado a lado.
A seguir, apresento algumas imagens que documentam parte desse percurso. Mais do que simples registros fotográficos, elas testemunham um processo de investigação e criação construído coletivamente, revelando momentos de experimentação, observação, diálogo e produção artística. As imagens evidenciam como a sala de artes se consolidou como um espaço-laboratório, onde crianças, professores e comunidade escolar participam ativamente da construção de sentidos sobre a cidade, a memória e a experiência estética.
Fábio da Costa Lago é Mestre em Educação, graduado em Pedagogia e especialista em Neuropsicopedagogia. Atualmente é doutorando em Média e Arte Digital, aprofundando pesquisas nas interseções entre arte, tecnologia e processos educativos. Atua há mais de 25 anos como professor de Artes Visuais na Educação Fundamental e no Ensino Médio, dedicando-se à formação humana por meio da arte e da educação. Além da docência, é artista visual, desenvolvendo trabalhos que articulam expressão artística, criatividade, cultura e inovação tecnológica. A sua trajetória profissional é marcada pelo compromisso com a aprendizagem, a inclusão e o desenvolvimento integral dos estudantes, promovendo experiências que integram arte, educação e contemporaneidade.




