Mesa Redonda: Comunicação de Ciência
Moderação de
Ana Soares
Ana Isabel Soares é Mestre e Doutora em Teoria da Literatura (FLUL, 1996; 2003). Leciona desde 1996 na Universidade do Algarve, onde é Professora Associada. É membro integrado do CIAC desde a sua fundação, em 2008, e integrou a equipa de fundadores da Associação de Investigadores da Imagem em Movimento, de que foi a primeira Presidente (2010-2014).
Curadoria, crítica, formação e divulgação científica no campo do audiovisual
O Observatório da Qualidade no Audiovisual é um projeto internacional de investigação, ensino e extensão que se insere no campo de estudos do audiovisual na sua articulação com a literacia mediática. Tem como objetivo promover a curadoria de conteúdos audiovisuais no âmbito lusófono alinhada com a reflexão e análise crítica; a formação de comunicadores e investigadores sob a perspetiva da cidadania ativa e a comunicação efetiva dos resultados por meio da divulgação científica para diferentes públicos. Nesta mesa-redonda apresentarei o enquadramento teórico que articula os conceitos de curadoria e crítica na sua correlação com a qualidade audiovisual e a metodologia ativa da aprendizagem baseada em projetos que sustenta a formação em literacia mediática de diferentes públicos. A elaboração deste construto teórico-metodológico está, por sua vez, intimamente ligada à comunicação por meio digital dos resultados científicos dos diferentes projetos que são desenvolvidos no Observatório.
Gabriela Borges
Professora da Universidade do Algarve, onde atua nas Licenciaturas em Ciências da Comunicação e Design de Comunicação, no Mestrado em Comunicação e Média Digitais e no Doutoramento em Média-Arte Digital. Mestre (1997) e Doutora em Comunicação e Semiótica (2004) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil, com estágios de investigação na Universidade Autónoma de Barcelona (1996) e na University of Dublin Trinity College (2000-2002), Pós-Doutorado no CIAC-UAlg em 2005/08 (bolsa FCT) e em 2019-20 (PPGCom/UFJF). Coordena a equipa brasileira da Alfamed (Rede Interinstitucional Euroamericana de Investigação sobre Competência Mediática para a Cidadania) e o projeto internacional Observatório da Qualidade no Audiovisual (CIAC/UFJF). Participa da Rede Obitel Brasil de Pesquisadores em Ficção Seriada e da Rede Nacional de Estudos Culturais em Portugal. Publicou livros (17) e artigos científicos (76) em revistas bem qualificadas sobre estudos de televisão, audiovisual, cultura digital e literacia mediática.
Comunicação de Ciência — Implicações Epistemológicas em Media Arte Digital (MAD)
A comunicação de ciência influencia a forma como o conhecimento é produzido, interpretado e legitimado, sobretudo quando além discursivamente mediado também o é por tecnologias/artefactos digitais. Em MAD, interfaces, visualizações e sistemas computacionais e outros moldam a perceção e a circulação de saberes, de emoções, de conceitos científicos e de “indícios” estéticos. A clarificação conceptual e a construção discursiva coerente, condicionadas pela tipologia de recetores, tornam o conhecimento mais inteligível e, logo, crítico. Esta intervenção, que entende a comunicação como prática epistemológica, não apenas transmissiva, propõe uma reflexão acerca de um modelo de comunicação de ciência que reforce a transparência, a responsabilidade e a consciência crítica na mediação em ecossistemas de media arte digital.
Manuel Célio Conceição
É doutor em linguística e professor associado com tenure da Universidade do Algarve. Entre outros cargos e funções na Universidade do Algarve, realçam-se os cargos de pró-reitor e diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. É atualmente vice-presidente do Conselho Geral da Universidade do Algarve. Foi vice-presidente do Conselho Europeu das Línguas entre 2013 e 2015 e depois presidente entre 2015 e 2017, sendo atualmente presidente ex officio e representante do CEL/ELC na European Alliance for Social Sciences and Humanities (EASSH), de que foi fundador. Foi até 2023 presidente da Rede Lexicologia, terminologia e tradução da Agence Française de la Francophonie. É membro da comissão científica da Rede Panlatina de Terminologia (REALITER), da Associação Internacional de Linguística do Português (AILP) e membro da direção do Observatório de Terminologia e Política Linguística (OTPL) da Universidade Católica de Milão. É o coordenador do grupo de comunicação de ciência na Aliança Europeia de Universidades SEE – EU, Universidade Europeia dos Mares. A República Francesa distinguiu-o com o grau de cavaleiro da ordem das Artes e das Letras (2013) e de oficial da mesma ordem em 2023. O Município de Faro atribuiu-lhe em 2016 a medalha de honra da cidade – grau ouro.
Comunicação e a/r/cografia
O papel do “comunicador” enquanto dimensão fundacional da a/r/cografia — metodologia de investigação baseada na prática, que desenvolvi como extensão da a/r/tografia, para contextos de arte digitalmente mediada. Se a trindade original artista/investigador/professor reconhecia a porosidade entre estes papéis identitários, a introdução do “comunicador” responde a uma exigência específica das práticas artísticas digitais em contexto académico (e não só): a de que a comunicação não é um epifenómeno da criação ou da investigação, mas uma condição constitutiva de ambas. Neste quadro, comunicar ciência não equivale a disseminar resultados. É um ato epistémico que molda o próprio conhecimento produzido — atravessado por escolhas de linguagem, de plataforma, de público e de temporalidade. A proposta é repensar a escrita, a apresentação e a publicação não como formatos neutros de transmissão, mas como gestos artísticos e investigativos por direito próprio.
Pedro Alves da Veiga
Pedro Alves da Veiga é doutorado em Média-Arte Digital pela Universidade do Algarve e Universidade Aberta, Professor Auxiliar na Universidade Aberta, e Vice-Diretor do Doutoramento em Média-Arte Digital. Foi empreendedor durante mais de duas décadas, com trabalhos premiados de webdesign e multimédia. A sua investigação centra-se na influência das economias da atenção e experiência no ecossistema da média-arte digital, métodos de investigação baseada em prática artística, e curadoria digital. Utiliza assemblage, programação criativa generativa e audiovisuais digitais nas suas criações artísticas, regularmente expostas em Portugal, Espanha, França, Itália, Holanda, Roménia, Ucrânia, Rússia, China, Singapura, Tailândia, Brasil e EUA. Mais informações em https://pedroveiga.com/

