Marco Miranda
PolySonicBRAIN: Biological Resonance, Artistic Immersive Narration
Conceito
PolySonicBRAIN é um sistema neuro-mediado que transforma a atividade elétrica cerebral em ecologias estéticas de som, imagem e vibração. Partindo da premissa de que o EEG pode ser reconfigurado como matéria expressiva – e não como dado biométrico – a instalação cria um ambiente sensível onde variações mínimas do estado cognitivo-afetivo do participante se tornam comportamento multimodal. O sinal neural, instável e oscilatório, alimenta algoritmos generativos que modulam frequência sonora, geometria visual e vibração física, produzindo uma resposta contínua entre corpo e artefacto.
A obra propõe uma experiência de presença ampliada: o participante/performer torna-se parte do sistema, num loop de retroação onde atenção, respiração e flutuações internas se materializam no espaço. PolySonicBRAIN explora, assim, a possibilidade de tornar visível e audível aquilo que normalmente permanece interior, criando uma ecologia estética que articula neurociência, computação generativa e prática artística.

Objetivos de Intervenção / Comunicação
O projeto procura explorar o EEG como linguagem estética multimodal, promovendo uma experiência de presença ampliada onde interioridade e exterioridade se articulam. Pretende sensibilizar o público para a dimensão expressiva dos biossinais, evidenciando a relação entre estados cognitivo-afetivos e ecologias generativas de som, imagem e vibração. A obra propõe uma reflexão sobre mediação, agência e legibilidade na arte neuro-mediada, convidando o visitante a observar a transformação do corpo em sistema performativo.

Aviso Ético e Instruções de Utilização
Aviso Ético – Uso de EEG
Esta instalação utiliza um dispositivo EEG não invasivo (Muse 2) para traduzir variações elétricas superficiais do couro cabeludo em som, imagem e vibração. Nenhum dado é gravado, armazenado ou associado à identidade do participante. O dispositivo não produz diagnóstico nem avalia estados mentais. O sinal é usado exclusivamente como matéria expressiva. A participação é voluntária e pode ser interrompida a qualquer momento.
Instruções de Utilização
(1) Sentar
Sente-se confortavelmente, de frente para a projeção.
(2) Colocar a Muse 2
Como uma bandelete:
- frente na testa
- hastes sobre as orelhas
- apoio atrás das orelhas
(3) Ligar
Pressione o botão lateral direito uma vez (1 segundo).
(4) Ajustar
Certifique-se de que a parte frontal está bem encostada à testa, sem cabelo entre o sensor e a pele.
(5) Experienciar
Som, imagem e vibração respondem à sua atividade cerebral. Momentos de silêncio e escuridão (vídeo generativo sem esferas brancas) fazem parte do comportamento natural do sistema.
(6) Volume (opcional)
Pode ajustar o volume no amplificador, com cuidado. Evite volumes muito altos.
(7) Terminar
- Retire a Muse 2
- Desligue-a (2 segundos), até a luz apagar
- Coloque-a na mesa
Tecnologias e Técnicas Utilizadas

- EEG não invasivo (Muse 2)
- Streaming OSC (MindMonitor)
- TouchDesigner – sonificação e visualização generativa
- Sistema de vibração física / objetos ressonantes
- Router dedicado / rede local
- Algoritmos generativos multimodais

Referências e Influências Estéticas
PolySonicBRAIN inscreve-se na genealogia das práticas neuro-mediadas que exploram o EEG como gesto expressivo, dialogando com obras pioneiras como Music for Solo Performer, de Alvin Lucier, onde a atividade elétrica cerebral se torna matéria performativa. A dimensão generativa aproxima-se de abordagens contemporâneas da estética computacional que valorizam instabilidade, emergência e variabilidade como elementos poéticos, em afinidade com propostas de Manning & Massumi sobre experiência pré-reflexiva e ecologias sensíveis.
A visualização generativa inspira-se em tradições de abstração dinâmica e sistemas de partículas, enquanto a materialidade vibratória ecoa práticas de arte sonora que exploram ressonância, corpo expandido e espacialidade sensorial. O projeto articula ainda contributos da neuroestética, que relaciona dinâmica neural e experiência estética, e das metodologias de investigação-criação, onde o processo performativo e a reflexão crítica se entrelaçam. Esta constelação de influências sustenta a abordagem híbrida do PolySonicBRAIN, onde neurociência, computação generativa e prática artística convergem numa ecologia multimodal.
Diário Digital de Bordo
(clique para aceder)
Marco Miranda (M PeX) é músico, compositor, engenheiro físico e artista-investigador em arte digital, cuja prática se desenvolve na interseção entre ciência, tecnologia e criação artística. Mestre em Engenharia Física Tecnológica pelo Instituto Superior Técnico (IST), investiga sonificação de EEG, biofeedback musical e sistemas generativos aplicados à performance. Com mais de quinze discos editados e um percurso internacional consolidado, explora a fusão entre guitarra portuguesa, eletrónica e dados neurofisiológicos, criando ecologias sensoriais onde corpo e máquina se influenciam mutuamente. Doutorando em Média-Arte Digital pela Universidade Aberta (UAb) e Universidade do Algarve (UAlg), centra a sua investigação na relação entre atividade cerebral, narrativa audiovisual e ressonância física, propondo modos de tornar o invisível – o fluxo neuronal – sensorialmente experienciável.


