José Ribeiro da Silva

mmHg

A instalação parte de um gesto simples: apertar. No centro do dispositivo encontra-se um esfigmomanómetro analógico — normalmente associado à medição da pressão arterial — aqui deslocado da sua função clínica para operar como interface artística. Em vez da fluidez invisível das interfaces digitais contemporâneas, o sistema responde através da resistência, impondo esforço e consciência do próprio corpo.
Ao exercer pressão pneumática, o participante interfere diretamente na estabilidade visual de um retrato renascentista. A imagem cede, oscila, recompõe-se e resiste. Aqui, o gesto não se reduz a um clique transparente e imediato, mas torna-se um processo contínuo de tensão, ajustamento e duração.
O participante confronta-se com a instabilidade do próprio ato de ver. A imagem olha-o, mas nunca se oferece por completo. O seu significado emerge apenas através da ação e da permanência do corpo na interação. A instalação procura tornar percetível a fricção entre corpo, tecnologia e representação.

Partindo da História da Arte e dos Estudos do Património, José Ribeiro da Silva aproxima-se atualmente da Média-Arte Digital e das questões ligadas à corporalidade, interatividade e agência. O seu percurso cruza investigação, televisão e jornalismo, refletindo um interesse crescente pelas relações entre arte, comunicação e experiência contemporânea.