Sónia Tavares
Uncanny me – Ser neurodivergente
Conceito
“Uncanny Me – Ser neurodivergente” propõe uma obra de videoarte que explora o conceito do uncanny e a experiência vivida do transtorno bipolar. Através de um autorretrato em movimento cocriado com inteligência artificial, a obra habita um espaço liminar entre o humano e o artificial, o familiar e o estranho. “Uncanny Me” mergulha o público numa narrativa cíclica de estados emocionais – da normalidade à mania e depressão. O uso de imagens geradas por IA evoca o “vale da estranheza” de Mori, espelhando a dissociação sentida na bipolaridade. “Uncanny Me” propõe-se como bandeira pela saúde mental, rompendo o silêncio em torno das doenças mentais e celebrando a vulnerabilidade como força. A obra traduz a procura de identidade e aceitação da autora, transformando o sofrimento em voz e convidando os visitantes a refletirem sobre a neurodiversidade, o estigma e os limites do que consideramos “humano”.
Objectivo de intervenção
A intervenção Uncanny Me – Ser Neurodivergente tem como principal objectivo provocar uma reflexão crítica e sensível sobre as experiências complexas associadas ao transtorno bipolar, procurando desestabilizar representações estigmatizadas da saúde mental através de uma articulação consciente entre linguagem artística, dados clínicos e tecnologia digital. Esta proposta parte do princípio de que a arte tem o poder de tornar visível aquilo que, na experiência subjetiva, muitas vezes permanece inominado ou invisível — neste caso, os ciclos emocionais extremos, as percepções distorcidas de realidade e as tensões internas vividas por quem atravessa fases maníacas e depressivas.
Instruções de utilização
O visitante é acolhido no espaço expositivo com a projecção contínua do artefacto de videoarte “Uncanny Me – Ser Neurodivergente”, apresentado em loop, criando uma atmosfera emocionalmente densa. A repetição contínua da obra visa reforçar o carácter cíclico e muitas vezes incompreendido das experiências associadas à neurodivergência, nomeadamente ao transtorno bipolar.
Ao término da visualização, o público é convidado a interagir com o artefacto através da leitura de códigos QR estrategicamente posicionados, cada um correspondente a uma fase distinta do transtorno bipolar (mania, hipomania, depressão, remissão). Estes códigos funcionam como portas de acesso a camadas informativas adicionais, onde são apresentados sintomas característicos de cada fase, conforme descritos no portal oficial do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Esta estratégia tem um duplo propósito: por um lado, ampliar a dimensão educativa e informativa da instalação, promovendo a literacia em saúde mental; por outro, estimular uma reflexão crítica sobre a forma como a neurodivergência é vivida, representada e compreendida na sociedade contemporânea, integrando arte, tecnologia e cuidado. Ao conjugar a sensorialidade da imagem em movimento com a factualidade clínica, a instalação propõe-se como um espaço de mediação entre o sentir e o saber, entre a experiência artística e a consciência social.
Diário Digital de Bordo
https://www.tumblr.com/dbdsoniatavares
Sónia Tavares
Nascida em Portalegre mas residente em Caldas da Rainha. Docente na Escola de Tecnologia Gestão e Design do Instituto Politécnico de Portalegre, Especialista em Design da Comunicação, Licenciada em Design da Comunicação e Educação Visual e Tecnológica. Tem experiência em Design da Comunicação: identidade visual, design editorial, fotografia e edição de imagens.


