Ricardo Monteiro
Immersync Collective
Conceito
“Immersync Collective” é uma instalação imersiva que promove uma experiência sensorial que articula natureza, tecnologia e interação humana. A obra propõe uma reflexão sobre a coexistência entre o orgânico e o artificial, através da criação de um espaço expositivo minimalista onde troncos verticais remetem para uma floresta interior transfigurada. Integrados nesse ambiente, dispositivos tecnológicos como câmaras de videovigilância acentuam as dinâmicas contemporâneas de conectividade e vigilância. No centro da instalação situa-se um projetor criando uma abordagem aberta e partilhada da experiência imersiva, onde as imagens projetadas envolvem o espaço e o visitante. O projetor transmite conteúdos visuais gerados por sistemas generativos, com base em inputs fornecidos pelos participantes através dos dispositivos disponíveis no espaço e/ou dispositivos pessoais. Estes dados são processados por sistemas de inteligência artificial generativa, resultando numa composição audiovisual adaptativa e em constante mutação. A proposta propõe desafiar os limites tradicionais da criação artística, promovendo a cocriação entre artista, máquina e visitante. A instalação não se configura como uma obra fechada, mas como um organismo vivo que se transforma com cada interação. Ao fundir estética e tecnologia, “Immersync Collective” explora as ambiguidades entre controlo e autonomia, corpo e interface, presença e mediação. O público, transformado em coautor, é convidado a habitar uma paisagem sensível onde a perceção se reconfigura e a consciência do ambiente se intensifica, estabelecendo uma poética da imersão que é simultaneamente individual, coletiva e efémera.
Instruções de utilização
A imagem demonstra os procedimentos de utilização da interface do projeto “Immersync Collective”, um sistema interativo para geração de imagens através de inteligência artificial e interação corporal.

A interface orienta o utilizador através de um passo a passo, que se descreve de seguida:
- Participar na criação artística: O utilizador é instruído a digitar um texto (prompt) no campo indicado com a informação necessária para criar uma imagem.
- Geração da imagem: Após digitar o prompt, o utilizador deve clicar no botão “GENERATE” para iniciar o processo de criação da imagem através do sistema de Inteligência Artificial.
- Aguardar o processamento: Um aviso informa que é necessário aguardar
aproximadamente 2 minutos enquanto a imagem está a serr gerada. Um indicador de progresso aparece no ecrã. - Salvar a imagem com um gesto: Para salvar uma imagem projetada, o utilizador deve bater uma palma, gesto captado pelo microfone do computador.
Interação corporal contínua: A projeto monitoriza o movimento do utilizador via câmara, incentivando a criação de novas composições e padrões, promovendo uma estética interativa e performativa.
Tecnologias e técnicas utilizadas
A instalação “Immersync Collective” recorre a uma combinação de materiais orgânicos e dispositivos tecnológicos, criando um ambiente híbrido que enfatiza a tensão entre natureza e artificialidade.

O sistema articula-se em torno de seis componentes principais: Curadoria, Sistema AIGen, Database Local, Sistema Generativo, Projeção e Público, sendo este último o agente dinamizador/fruidor da experiência. O processo inicia-se na fase de Curadoria, onde são selecionados conteúdos visuais e/ou textuais que alimentam o Sistema AIGen, baseado no modelo de geração de imagem Stable Diffusion e operacionalizado via interface WebUI. Este sistema realiza a conversão de texto em novas imagens geradas por IA (text-to-image), permitindo tanto a criação como a transformação visual baseada em inputs curatoriais. As imagens geradas pelo Sistema AIGen são então armazenadas numa Database Local, funcionando como repositório de elementos visuais que servirão de base para futuras manipulações. A Base de Dados alimenta o Sistema Generativo, desenvolvido em Processing, que interpreta os dados com base em parâmetros como a cor das imagens e interações com o Público, detetadas por cameras em tempo real. Assim, o público torna-se um agente ativo na manipulação estética e semântica do conteúdo visual, interagindo com o sistema através da sua presença e de inputs textuais. A partir desta interação, o Sistema Generativo processa e transforma os dados em composições visuais dinâmicas, que são projetadas em tempo real através do módulo de Projeção, criando uma experiência imersiva. A projeção final é, portanto, o resultado de uma sinergia entre curadoria, algoritmos generativos de IA e a participação ativa do público. Este sistema propõe uma abordagem expandida da criação artística digital, ao articular práticas curatoriais, algoritmos generativos e mediação sensorial numa cadeia interativa contínua.
Diário Digital de Bordo
https://sites.google.com/view/arte-imersiva-ia/diario
Ricardo Monteiro
Professor de Artes Visuais, o seu percurso académico e profissional integra as áreas das Artes, Tecnologia e Educação. Possui especializações em Tecnologia Educativa, Interação Humano-Máquina e Educação a Distância. Desde 2015 que o seu foco de investigação se centra no estudo de tecnologias imersivas em contextos artísticos e educativos.

