Anderson Adão
Ecos da Amazónia
Conceito
“Ecos da Amazônia” é uma instalação audiovisual imersiva que propõe uma reflexão crítica sobre os impactos do desmatamento da floresta amazônica e suas repercussões globais. O projeto combina imagens reais de satélite retiradas do Google Earth Timelapse com a linguagem estética da pixel art para representar visualmente a destruição ambiental em andamento. Por meio da sobreposição dessas imagens com fotografias de desastres naturais, como incêndios florestais, derretimento de geleiras e ondas de calor, a obra constrói uma narrativa visual que conecta causas e consequências, alertando para o ciclo contínuo de degradação ambiental. A trilha sonora, interpretada por uma artista indígena, atua como eco espiritual da floresta, humanizando a Amazônia como sujeito sensível e pedindo socorro.
Referências e influências
O projeto Ecos da Amazônia dialoga com obras que exploram a convergência entre arte, dados e consciência ambiental. Uma das principais influências é a artista britânica Beatie Wolfe, especialmente com seu trabalho Smoke and Mirrors, onde a música e a visualização de dados se entrelaçam para abordar questões sociais e ambientais urgentes. Assim como Wolfe, este projeto busca transformar informações complexas em uma experiência sensorial acessível e impactante.
Além disso, a linguagem da pixel art utilizada na obra remete tanto à estética digital quanto à representação simbólica das marcas deixadas pelo desmatamento — manchas quadrangulares visíveis nas imagens de satélite —, evocando visualmente a lógica de destruição fragmentada que ocorre na floresta.
As imagens do Google Earth Timelapse, a trilha interpretada pela artista indígena Tainara Takua, e as referências simbólicas à espiritualidade dos povos originários também influenciam a construção poética do trabalho, conferindo-lhe densidade histórica, política e afetiva.
Objetivo de intervenção
Ecos da Amazônia foi concebido como um artefato artístico de intervenção sensível e crítica frente à crise climática. O projeto propõe uma experiência imersiva e reflexiva que articula arte, tecnologia e dados científicos para provocar o público a repensar sua relação com o planeta.
Ao transformar estatísticas ambientais e imagens de satélite em uma narrativa audiovisual com forte carga simbólica, o projeto busca ampliar a consciência sobre os impactos do desmatamento da floresta amazônica e suas repercussões globais, como o aquecimento do planeta e a intensificação de desastres naturais.
A intervenção acontece tanto no plano visual – com a estética pixelada que traduz a devastação em linguagem digital – quanto no plano emocional e sonoro, ao incorporar a voz ancestral de Tainara Takua como representação espiritual da floresta. A ativação da obra por sensor de presença reforça ainda mais o impacto simbólico da presença humana no ciclo de destruição ambiental.
Mais do que informar, o objetivo é comover, envolver e despertar o senso de urgência, criando um espaço de escuta e de eco – onde a floresta fala, e o visitante é convidado a ouvir.

Instruções de utilização
A obra Echoes of the Amazon / Ecos da Amazônia está instalada em um ambiente cenográfico imersivo que simula uma sala parcialmente destruída por incêndio. A experiência se inicia automaticamente por meio de um sistema de rastreamento de presença configurado no software TouchDesigner.
Assim que um visitante é detectado diante do televisor da instalação, o vídeo principal é acionado, permitindo a imersão audiovisual. Recomenda-se que o participante utilize os headphones disponíveis para vivenciar plenamente a trilha sonora e os efeitos sonoros da obra.
Caso o visitante se afaste da instalação ou deixe de ser rastreado, o vídeo é reiniciado automaticamente, aguardando uma nova presença. Dessa forma, cada entrada no espaço reativa a obra desde o começo, reforçando a ideia de repetição cíclica e a urgência de interromper esse ciclo destrutivo.
Técnicas e tecnologias utilizadas
O projeto Echoes of the Amazon / Ecos da Amazônia combina linguagens visuais digitais e tecnologias interativas para propor uma experiência estética, crítica e sensorial. A obra foi desenvolvida com base nas seguintes técnicas e ferramentas:
- Pixel Art: utilizada como linguagem visual principal, a pixel art dialoga com os padrões geométricos visíveis nas imagens de satélite que registram o desmatamento, reforçando visualmente a artificialidade da destruição humana sobre a natureza.
- Google Earth Timelapse: imagens extraídas desta ferramenta foram fundamentais para evidenciar a degradação ambiental da Amazônia ao longo dos anos, oferecendo um panorama temporal e espacial do desmatamento.
- TouchDesigner: software responsável pela criação da interatividade da instalação, permitindo o rastreamento de presença do público para acionar a exibição do vídeo. A ferramenta também foi usada para configurar o retorno automático ao início do vídeo quando não há presença detectada.
- Montagem Audiovisual: a estrutura do vídeo mescla imagens de satélite, registros de desastres ambientais, composições gráficas e palavras em pixel art para construir uma narrativa de alerta climático.
- Trilha Sonora Ancestral: a música “Nhanderu – Pai Criador”, interpretada por Tainara Takua, articula a dimensão espiritual da floresta com a denúncia das ameaças sofridas pelos povos originários e pelo planeta.
Essa combinação de recursos técnicos e poéticos resulta em uma instalação que convoca o visitante a refletir sobre seu papel diante da crise ambiental global, utilizando a média-arte digital como instrumento de transformação.
Diário Digital de Bordo
Anderson Adão
Anderson Adão é artista e pesquisador brasileiro, com formação em Farmácia e atuação na área da Comunicação em Saúde. Trabalha na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolve projetos audiovisuais e digitais voltados à educação e ao uso racional de medicamentos. Atualmente é doutorando em Média-Arte Digital pela Universidade Aberta e Universidade do Algarve (Portugal), onde investiga o potencial da arte digital interativa como instrumento pedagógico e crítico.
Sua prática artística é marcada pela interdisciplinaridade e pelo compromisso com causas sociais, ambientais e políticas. Em seus projetos, Anderson integra tecnologia, ciência e arte para construir experiências imersivas que provoquem reflexão e transformação. Em Echoes of the Amazon / Ecos da Amazônia, ele materializa esse percurso ao unir dados científicos, linguagem visual, espiritualidade indígena e interatividade digital em uma obra que ecoa as urgências do nosso tempo.
Anderson Adão

Farmacêutico formado e servidor da Universidade Federal Fluminense, Brasil. Atua na Comunicação em Saúde, colaborando com a Faculdade de Farmácia e o Sistema Brasileiro de Informação de Medicamentos. Desenvolve sites, arte digital, edição de vídeo e áudio, jogos e palestras educacionais.

